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28 de out de 2010

mate me no mate




Blogueiro vai ao Mate com Angu mas toma cerveja


Igor Barradas, apresentando seu novo filme, Queimado


Sabrina Bitencourt, que exibiu seu novo curta-metragem, Nina Vida - Adereços
de uma manhã de carnaval.


Igor Cabral, apresentando o curta Salomé


Panorâmica do público do Mate com Angu - o cerol fininho da baixada.

Crédito das fotos: Carola Oliveira, também conhecida como "Cleópatra".

No dia 28 de outubro, o blogueiro foi ao Mate com Angu , coletivo de cinema realizado há alguns anos em Caxias, na Baixada Fluminense. Uma vez por mês, jovens realizadores da Baixada e também do Rio encontram-se num galpão para assistir produções alternativas, experimentais, e confraternizar. A edição da semana passada, foi intitulada Catapulta, pois correspondeu ao lançamento de vários filmes.

Um dos primeiros filmes exibidos foi Monocelular, de Felipe Cataldo, cineasta que vem amadurecendo uma linguagem muito particular, muito ligado à poesia visual.

Depois tivemos, de Slow e Márcio Grafiti, o filme Funk-se 2.0, um passeio (como diz a sinopse) pela lenda do verdadeiro funk carioca, avô do pancadão de hoje.

Gaiola, de autoria do Cineclube Tupinambá, e direção de Felipe de Oliveira e Helio JR, é uma bonita ficção sobre um pássaro que é preso numa gaiola, uma defesa poética e apaixonada pelo fim do cativeiro, que é uma forma de tortura imperdoável.

Bicho Lamparão, de Rafael Mazza e Rodrigues Folhes, é uma entrevista filosófica com um sujeito extraordinário: "eu sou empírico, mas científico!".

O ambiente do Mate com Angu continuava esquentando, e a bebida era vendida a preços módicos. A organização do evento havia disponibilizado, como sempre faz, dois ônibus partindo do Passeio, na Lapa, que vieram cheios de cariocas sedentos por cinema, poesia e cerveja.

E aí um grande momento, o novo curta de Sabrina Bitencourt, uma deliciosa poesia abstrata, Nina Vida - Adereços de uma Manhã de Carnaval. A câmera experimentada e sensível de Igor Cabral encontra texturas inusitadas, românticas, para contar um sonho de menina, uma fantasia.

Depois tivemos Salomé, ambicioso filme de Igor Cabral (sim, o mesmo) que remete às epopéias de Pasolini. Inspirado na peça homônima de Oscar Wilde, Cabral constrói uma narrativa sólida, cheia de delicadas surpresas fotográficas.

E tudo isso com a cerveja rolando. Mas as pessoas permaneciam atentas aos filmes. O ápice da noite veio agora, com o novo filme de Igor Barradas, um dos fundadores do Mate com Angu. Queimado tem a fotografia do mesmo Igor Cabral, direção de arte de Bia Pimenta e figurino de Fabíola Trinca. Só fera.

Aí pronto. A galera explodiu. A festa começou. No som, Mdc Suingue et Kika Serra, do Caipirinha Appreciation Society. A eletricidade no ar era tanta que os olhos das meninas brilhavam como pássaros incandescentes. Os olhos dos meninos, por sua vez, eram projetores exibindo filmes de Jonh Cassavetes...

Às duas horas da manhã, voltamos para o Rio, ainda nos ônibus obtidos pela organização do Mate.

Eu pensei em escrever tantas coisas bonitas, poéticas, culturais, filosóficas, para agradecer as boas horas que desfrutei, e, sobretudo, para retribuir o prazer de assistir tantos filmes legais; mas não sei o que dizer. É muito difícil explicar. Você tem que ir lá.

O Mate é um evento extremamente vivo, refinado, autêntico - seguramente o melhor cineclube do Rio de Janeiro. As pessoas envolvidas são completamente apaixonadas por cinema, e a maneira pela qual elas se entregam, se unem, se ajudam, em prol dessa causa, tão fundamental para o Brasil se tornar, um dia, um país de primeiro mundo, é um exemplo de força, inteligência e amor - e vou te dizer, isso não é para qualquer um.

São essas pessoas que estão construindo, pacientemente, determinadamente, incansavelmente, gloriosamente, um país mais interessante, com mais poesia, mais cinema, mais cerveja e mais angú.

Um comentário:

  1. Você queria escrever tantas coisas bonitas, poéticas, culturais, filosóficas e que expressassem essa gratidão por esses momentos que só essa experiência pode dar a vocês todos que... escreveu! Eu, do lado de cá da nação brasileira, fiquei emocionado, entendi perfeitamente o que esse mate com angú representa e é de fato e espero, se Deus quiser, vir um dia a conhecer esse tipo de sessão de cinema: uma expressão da paixão pela arte como não há mais por aí, não! Parabéns cariocas!

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