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12 de jul de 2011

tragedia rebeldia e genialidade







(22-12- 1960, Brooklyn, Nova Iorque - 12 -08- de 1988, Nova Iorque)

Afro-descendente, filho de pais Portorriquenhos e Caribenhos, Jean-Michel Basquiat largou a vida confortável de classe média alta, para viver nas ruas de Nova York, desafiar o racismo dos brancos norte-americanos (e não só dos brancos) e se tornar um dos mais importantes artistas plásticos do século XX

O grafite foi um ínicio e da arte de rua, saltou para as galerias e, destas, chegou aos museus. Considerada por alguns como vanguardista, essa forma de manifestação é tão antiga quanto a idade da pedra. As pinturas rupestres feitas nas cavernas pelos homens primitivos nada mais são do que exemplos de grafites, que simbolizam o modo de vida da época.

Por utilizar o espaço urbano como suporte, o grafite é muitas vezes confundido com pichação, embora seja diferente desta. A pichação tem como base a escrita, dá destaque à letra, à palavra. Já o grafite busca referências nas artes plásticas. Trabalha com a forma, o volume, a perspectiva, a cor, entre outros recursos. Se bem que existe uma ala de pessoas que não reconhecem diferenças entre as 2 coisas...

A prática de grafitar muros e paredes com inscrições de teor poético ou político ganhou impulso em maio de 1968, na cidade de Paris, a partir de onde explodiram no Ocidente os movimentos de contracultura. Inconformados com os rumos do capitalismo, jovens de vários cantos do planeta, munidos de tinta spray, foram às ruas expressar sua insatisfação.

De lá para cá, grafites de vários tipos e estilos eclodiram nas vias públicas como voz eloquente contra os privilégios das minorias elitistas, dominantes nos mais diversos setores da sociedade. Associados a diferentes movimentos e tribos urbanas, como o hip-hop, o grafite por muito tempo foi interpretado como transgressão, até se transformar em fenômeno compreendido e incorporado pelo mainstream.

Assim também ocorreu por aqui. Tanto é que, nas principais cidades brasileiras, o grafite faz parte da paisagem e já foi exposto em muitos museus. Nos grandes centros urbanos do país, convive-se com pinturas de artistas de renome internacional.
Os Gemeos,Kajaman,Erko 1 da bf, Nunca, Nina, Finok e Zefix são alguns dos mais famosos, com trabalhos em vários lugares do mundo. Mas se o grafite despontou em meio à cultura marginalizada e atingiu o status de arte, deve isso em grande parte à figura de Jean-Michel Basquiat.

Um dos pioneiros da chamada street art e, certamente, o mais célebre grafiteiro de todos os tempos, Basquiat tornou-se lenda ao passar feito meteoro pelo cenário artístico de Nova York e revolucionar o modo de ver a pintura nos Estados Unidos da América.
Apadrinhado por Andy Warhol, pai da pop art, com quem compartilhou amizade e até mesmo a produção de vários trabalhos, Basquiat começou a pintar telas, e, de mero pichador, passou a ser considerado representante privilegiado de uma escola chamada neoexpressionista.

A partir de então, os trabalhos do artista receberam, por parte da crítica especializada, o rótulo de “primitivismo intelectualizado” e, em apenas três anos, de 1982 a 1985, conquistaram marchands, compradores e ganharam espaço em importantes galerias e museus dos Estados Unidos, Canadá, Holanda, Alemanha e Japão.

Tragédia, rebeldia e genialidade

Tanto a vida quanto a obra de Jean-Michel Basquiat foram marcadas por polêmicas, tragédias, atos de rebeldia e de genialidade. Ainda na infância, desenhava caricaturas e reproduzia desenhos animados dos programas de televisão. O passatempo favorito desse afro-descendente crescido no Brooklyn era freqüentar o MOMA – Museu de Arte Moderna, em Manhattan.

De origem caribenha, Jean-Michel nasceu em família de classe média alta. Era o mais velho dos três filhos de Gerard Jean-Baptiste Basquiat, ex-ministro do interior do Haiti que emigrou para os Estados Unidos, onde se tornou proprietário de grande escritório de contabilidade. A mãe, Mathilde Andrada, tinha origem portorriquenha.

Aos sete anos de idade, Basquiat sofreu um acidente que, por obra do acaso, o aproximou ainda mais da arte. Foi atropelado e submetido a uma operação no baço. Para distraí-lo durante o tempo em que ficou hospitalizado, a mãe deu a ele o clássico livro de anatomia Gray´s Anatomy ( E HOJE ESTE NOME É SINONIMO DE ENLATADO ESTADUNIDENSE).
A obra não só o influenciou nas futuras pinturas que faria de corpos humanos, como na escolha do nome da banda que criaria em 1979: Gray´s, cujo repertório era baseado nos ritmos latinos de Porto Rico e do Caribe.(O MESMO ACONTECEU COM O PRIMÓRDIO DO HIP HOP)

Apesar de ter nascido e crescido em Nova York, a cultura latina estava muito presente na formação de Basquiat, especialmente por ter vivido em Porto Rico entre os 15 e 17 anos de idade, após o divórcio dos pais.
Em 1976, de volta à cidade natal, tentou, mas não conseguiu se adaptar aos estudos formais. Abandonou a escola, saiu de casa para morar com amigos, e passou a pintar camisetas, que vendia nas ruas.

Foi nessa época que, junto com o artista gráfico Al Diaz, começou a espalhar grafites nas paredes, portas, nos muros e metrôs da cidade, todos assinados com a marca SAMO, abreviatura de “same old shit” (mesma velha merda).
A essas alturas, Basquiat já havia assumido sua condição de excluído, em uma sociedade até então extremamente racista, e passado a viver nas ruas.

Embora não dominasse técnicas do desenho clássico, o grafiteiro criou um estilo figurativo próprio. Suas pinturas, presentes em lugares inusitados, logo causaram forte impacto, especialmente pela rudeza e nervosismo dos gestos.
O efeito de estranhamento, vigoroso e ao mesmo tempo intrigante, que emerge dos traços do artista logo chamou a atenção da imprensa.
Sua carreira estava começando. Basquiat passou a aparecer em um programa de TV a cabo e foi convidado a participar do filme Downtown 81, que relata o modo como ele buscava a sobrevivência, inserido em um contexto cultural que misturava hip-hop, new wave e o próprio grafite.

A fama trouxe dinheiro, convívio com pessoas famosas e o namoro com uma até então desconhecida cantora de nome Madonna.
Foi quando conheceu Andy Warhol, que ofereceu a ele espaço e material de trabalho, além de ajudá-lo a divulgar sua arte. Com isso, a vida de artista marginal estava definitivamente encerrada.
Nas últimas intervenções nas paredes da cidade, Basquiat decretou: “SAMO is dead” (Samo morreu). O ex-grafiteiro tinha virado celebridade.

Sentimento de exclusão

Segundo Miguel Westerberg, artista plástico português radicado em São Paulo, Jean-Michel Basquiat “foi o último dos grandes artistas plástico da América do norte”. Junto com Warhol, ele deu “ forma a uma nova linha de pensamento dentro da arte, quebrando de uma vez por todas com todos os tabus impostos até então pelos júris de salão”.

A arte de Basquiat, feita de rabiscos, escritas enigmáticas, pinceladas rápidas e nervosas, retrata personagens esqueléticos, rostos apavorados ou mascarados, prédios, carros, cenas da vida urbana, ícones negros do boxe e da música, sempre em telas grandes e cores muito fortes.
O homem negro, em meio a composições caóticas, é uma constante em seus trabalhos, talvez como forma de expressar o sentimento de exclusão, que, ao que tudo indica, carregava na alma.

Mesmo no auge da fama, Basquiat apresentava comportamento excêntrico e praticava excessos de vários tipos, em resposta ao que entendia como racismo exacerbado da sociedade norte-americana.
A partir da morte do amigo e protetor Andy Warhol, em 1987, tornou-se depressivo, fato que se refletiu em suas pinturas. A crítica especializada deixou de ser unanime com relação à qualidade da obra do artista.

Solitário e melancólico, Basquiat começou a abusar do consumo de drogas. Em agosto de 1988, morreu por overdose de heroína, antes de completar 28 anos de idade. A partir de então, obras do acervo do artista estiveram presentes nas mais importantes mostras de arte do mundo.

No Brasil, Basquiat foi homenageado com uma sala especial na 23ª Bienal de São Paulo, em 1996, e com uma retrospectiva na Pinacoteca do Estado de São Paulo, em 1998. (O JOSAFÁ DEVE TER IDO )
Para quem quiser conhecer mais sobre a vida do artista, encontra-se disponível em locadora e lojas especializadas o filme Basquiat, dirigido por Julian Schnabel, com Jeffrey Wright, como Basquiat, e David Bowie, como Andy Warhol.(BELO )

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