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15 de dez de 2010

MACAU

Ontem fiz uma rima no ZOZO na Urca , aos pés do corcovado com um cara muito gente boa e com um talento primoroso...
Que coisa boa foi rimar com esse grande mestre da Música...
MACAU
MACAU

No inicio dos anos 80, surge no cenário musical “Olhos Coloridos”, uma canção que em meio a tantas canções de protesto da época se destacou pela forma romântica e forte que denunciava a repressão e a discriminação racial. Seu autor, Macau, tocava sua canção de uma forma tão peculiar e marcante que parecia entoar tambores africanos que choravam chamando o país a uma reflexão.

Hoje, depois de 25 anos, Macau assiste sua música ser cantada pelo Brasil a fora e em vários paises. “Olhos Coloridos”, cada vez mais jovem, ganhou vida própria passando de geração em geração. Com seu suingue black, ela é mais do que uma música é um estilo musical, é um grito negro, uma denúncia, é contestação, é amor, é o hino da música negra brasileira.

Macau, compositor, morador da Rocinha, teve seu inicio de carreira em 1969 no Primeiro Festival de Inverno do Teatro Casa Grande no Rio de Janeiro onde participou, junto com a banda “Paulo Bagunça e a Tropa Maldita”, classificando-se em primeiro lugar com a música “Não adianta tu chorar”.

Nesta época Macau morava na Cruzada São Sebastião, onde surgiu a banda que era composta por ele, Osvaldo Rui da Costa(Macau), Paulo Soares Filho (Paulo Bagunça), Gerson Marcolino (Kongolês), Zé Carlos (Tainha), Jamil, Flávia Cavaca e Guerra, que na época era casado com a jornalista Ana Maria Baiana.

Em 1973, considerados pela critica pioneiros do movimento Black Power no Rio de Janeiro, o grupo gravou seu primeiro LP pela gravadora Continental. Logo depois, em 1974, a banda se separou e Macau continuou seu caminho e se tornou um dos ícones da música negra brasileira.

Em sua trajetória musical, teve a honra de conviver e participar de shows de ilustres representantes da música brasileira como Tim Maia, que se tornou seu amigo, Luiz Melodia, hoje seu compadre, padrinho de sua filha Quênia, Oberdan Magalhães, um dos fundadores da Banda Black Rio, Sandra de Sá, amiga e parceira e outros.

Em 1981 Macau participou do Primeiro Festival de música Afro da Bahia, junto com o cantor Djalma Luz e com o Grupo Afro, classificando-se em segundo lugar com a música “Kimbala Lêle”.

Neste ano compôs várias músicas dentre elas seu maior sucesso - obra prima considerada pela crítica especializada - “Olhos Coloridos”, música gravada por Sandra de Sá, cantora que se tornou à porta voz da música negra no Brasil.
“Olhos Coloridos” foi gravada por vários artistas e grupos importantes no Brasil e no exterior, como por exemplo, Jim Capaldi na Inglaterra, Les Etoiles na França e Funk como le gusta de Paula Brasil.
“Olhos Coloridos” também foi tema do filme ABC Paulista, foi cantada nos programas Fama da TV Globo e Big Brother, fez parte do Projeto Lonas Culturais, onde foi gravada por Fafá de Belém e Sandra de Sá ao som do violão de Macau, e outros.

A música “Amigo de Nova York”, funk gravado por Emilio Santiago em 1983, é uma amostra de um estilo novo na música brasileira que muitos dizem que é “a pegada do Macau” e ele, Macau, chama de samba-funk-afro. Teve músicas gravadas também por Eliana Pitman, Rosana, Elaine Guedes, Dom Mita, Adelmo Casé, Denise Pinaud e por ultimo Preta Gil gravou “Estágio do Perigo”, funk feito em parceria com Sandra de Sá.

Hoje, mais jovem do que nunca, sua musica continua sendo cantada por Sandra de Sá, Paula Lima, Banda Black Rio, em nova formação, Seu Jorge, Eletrosamba, Magna Nação(Du Gueto) e muitos Djs e Mcs espalhados pelo país.

Hoje Macau possui uma extensa obra que reúne, além das músicas que compôs com seu primeiro parceiro Paulo Bagunça, músicas compostas com Luiz Melodia, Durval Ferreira, Sandra de Sá, Kátia Drumond, Luciana, Marisa Grecco, Paulo Marcio, Elaine Guedes, Raul Menezes, Manoel Menezes, Elidio Laurent, Marcus Tafuri, Moara Menezes, sua atual mulher, e outros.

Sua capacidade de estar de bem com a vida e manter o astral, em todos os momentos, bons e maus, fizeram de Macau o “Negro dom do amor”, música onde Frank-PC e Durval Ferreira homenageiam o amigo.

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